• [vc_separator type="transparent" position="center" up="10" down="10"]

    © 2016 Matheus Graciano | Consultoria de design e marketing digital.

    [vc_separator type="transparent" position="center" up="5" down="0"]

Lacrar ou cantar, qual ferramenta é mais poderosa para dissolver o ódio entre as pessoas?

Indiscutivelmente, talento musical é um elo integrador entre seres humanos

Nessa última semana de agosto de 2017, a artista maranhense Pabllo Vittar, que ganhou visibilidade nos últimos meses, teve sua conta de Youtube hackeada.

A chegada da artista aos holofotes da mídia foi por conta da sua aparência, que na linguagem popular é conhecida como drag queen. Com uma boa presença de palco, conquistou a geração mais nova, que como a indústria sabe, está sempre carente de ídolos que representem suas causas.

Apagaram seus vídeos e subiram outros que nada tinham a ver com seu trabalho. Nesse momento, década de 2010, foi um golpe num dos pilares fundamentais da carreira de qualquer artista pop.

Pela característica do ato, os vândalos se alinham à extrema direta “à brasileira”, com valores ditos conservadores e pouco tolerantes à diversidade, especialmente a sexual.

O colunista André Forastieri, no R7, fez uma importante comparação do que Vittar representa hoje com o que Ney Matogrosso representou nos anos 70. Justo. Afinal, no Brasil “profundo”, ver um homem se comportando com trejeitos ditos femininos ainda é um choque.

Porém, há uma diferença grande entre os ídolos de hoje e ontem que não queremos enxergar: o talento musical.

Pablo Vittar em performance em seus clipes.
Pablo Vittar. Foto: Divulgação

Ney Matogrosso: um talento musical incontestável que dissolveu o ódio

Prejudicar alguém porque você discorda da postura ou jeito de ser do outro, especialmente quando isso não prejudica a ninguém, é uma bestialidade que ainda guardamos em nossa natureza humana.

Mas se há algo que atenua tudo isso é a música.

Décadas atrás, muito antes das questões de gênero, a cor das pessoas era a grande barreira entre elas (muito mais do que ainda é).

E quem ajudou a romper com tudo foi ela: a música.

A maior “lacração” de antigamente era um instrumento musical bem tocado e um talento vocal que, ainda hoje, nos faz olhar para qualquer um de forma diferente.

Ney foi um exemplo disso quando surgiu no Secos e Molhados. Numa época em que as gravações de álbum eram, praticamente, ao vivo, sem muitos recursos estéticos no som. E mesmo não gostando daquela figura afeminada, até os militares evitaram implicar com o artista.

Se você nunca ouviu, dê o play abaixo.

E o que vem acontecendo nas últimas décadas até hoje?

Para os mais jovens com poucas habilidades musicais, ‘lacrar’, ‘abalar’, ‘causar’ ou qualquer outro verbo da moda que rompa com algum tipo de ordem vigente socialmente, é mais importante que cantar.

Certamente, antes de ver os Secos e Molhados na televisão, muita gente os ouviu nas rádios, sem saber a cara dos artistas. Não havia visual, havia harmonia sonora e atitude no som. As bases de fã eram estruturadas no som, depois na imagem.

Assim, quando se conhecia o artista na tv, já era! Ou era mais paixão ou repulsa. E não duvido que muita gente que não gostou do visual, ouvisse o disco escondido, só para não mostrar que gostava daquele cantor “invertido”.

Dos anos 80 para cá, a música vem sendo deixada de lado. Mas se antes o que conquistava era apenas a estética do artista, hoje são suas causas. O que, como mostra a história, se não estiverem aliados a um trabalho que possa ser apresentado ao vivo de forma consistente, são facilmente esquecidos ao longo dos anos.

Nas aparições ao vivo de Pabllo Vittar, é notório que ela já representa um rompimento. Mas, musicalmente, ainda deixa muito a desejar. Os ouvidos mais jovens, com poucas referências, se encantam com as notas altas em falsete de Vittar, que ainda não mostram consistência sonora. O que, consequentemente, deixa seus opositores com ainda mais ódio.

Uma briga tola de fãs e odiadores (haters), dados os complexos problemas que temos no mundo.

Depois dessa repulsiva agressão ao trabalho do artista, talvez seja o momento dela repensar melhor sobre o seu material mais precioso de trabalho: a música.

Estudar mais canto e apresentar seu real valor musical será fundamental para mostrar àqueles que hoje a odeiam, que sua atuação vai além das roupas e maquiagens. E com a música podem tocar o coração.

Caso contrário, será apenas um artista “boi de piranha”, abrindo caminho para outros mais talentosos que ainda estão por vir nessa mesma linha. Pois quando o talento é notório, o visual é só mais uma característica.